terça-feira, 10 de junho de 2008

Fadas Pobres e Sem Paciência [Last.fm - Adaptado]

Eu juro que tinha tudo para ser um dia normal.


Eu andava tão triste por ter brigado com ele. Acho que todo mundo sabia disso, menos ele. Seria o nosso aniversário de namoro hoje... Não tinha notícias dele há meses.

Eu até mandei o convite da minha formatura pra ele, apesar de não saber se ele ainda residia no mesmo lugar, mas não custava nada. Não precisa dizer que ele não apareceu, não é ? Exatamente.

Eu ria da cara das pessoas que dizem que as melhores notícias vêm quando você menos espera.O dia era normal até então, ia em direção ao meu carro do outro lado da calçada quando vi uma pessoa estranha parada perto. Já ia sair correndo gritando por socorro quando percebi que a pessoa em questão não era tão estranha assim.

Era ele.

Senti a minha pasta deslizar da minha mão, mas já não ouvi quando ela caiu no chão.Ele me viu, deu um sorriso emocionado e veio em minha direção, e eu lá:estática (muito babaca, por sinal).

Parou.

-O que você tá fazendo aqui? {Estúpida.Não podia fazer uma pergunta um pouco mais delicada[?!]}

Ele não respondeu.Pelo menos não com palavras. Me olhou com carinho, como se no fundo no fundo, eu já soubesse a resposta, mas era humilde demais para admitir. Seus olhos já estavam marejados.Sorriu e pegou a minha mão:

-Você não mudou nada;Ele disse, tentando firmar a voz.

Me abaixei rapidamente para pegar a minha pasta caída no chão.Ele se abaixou também, sempre soube que cavalheirismo me agrada.Ao me ajudar a juntar os papéis avoados, percebi que ele ainda usava o barbantinho azul que eu havia amarrado nem me lembro mais por quê.

Nos levantamos.

-Eu preciso ir pra casa;Disse.

Atravessamos a rua juntos.

-Então esse é o adeus novamente?-Perguntei.
-Não...-suspiro-Eu não sei como aguentei tanto tempo longe de você.
-Eu sei, com a...
-Você sabe que isso é mentira
-Não é. Eu vi
-Eu te amo...
-Não me importo.

Abri a porta do carro. Ele ficou lá, com cara de desesperado. Tudo que eu queria fazer era sair correndo, me jogar nos braços dele e ser feliz novamente.Mas não era o correto.

Mas eu parei.

-Por que você não mandou notícias?
-Não queria te preocupar...E me disseram que você já tava feliz com o...
-E quem te disse isso?!
-Não importa mais...

Ele pegou uma florzinha logo acima do muro da casa em frente, se aproximou e colocou-a atrás da minha orelha, como ele fez quando me pediu em namoro. Desatei a chorar, não sabia mais o que falar, na verdade, nem sei se falei alguma coisa. Ele repousou as duas mãos sobre meu rosto, limpou minhas lágrimas e disse:

-Eu não quero amar mais ninguém...

Eu não sei quantos minutos, quantas horas, quantos dias, quantas estações, quantas eras se passaram durante aquele beijo.Nossos corações apertados batiam em um único ritmo, como se fossem um só.

Acordamos desse estado de nirvana quando uma amiga quem eu sempre dava carona, bateu a porta do carro, que estava até agora aberta.

-Eu te falei,eu te falei...

Um comentário:

Mayumi Kawamoto disse...
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