"... E ele tentando extrair o máximo que conseguia do meu perfume, e parecia não se incomodar com isso, mesmo com toda aquela gente por perto. De repente assim, apaixonado. Eu não queria nada com ele, claro, mas me sentia lisonjeada e incômoda ao mesmo tempo. Será que era mesmo a intenção dele de ficar tentando cheirar o meu pescoço na frente de toda aquela gente?
Estávamos todos indo para algum lugar. Eu, ele, e o melhor amigo dele. Ah! O melhor amigo dele... Conversávamos mais a frente, ele de alguma forma percebeu que eu não estava me sentindo muito bem com aquela situação e me puxou pro seu lado e colocou o seu braço por cima dos meus ombros. Seu sorriso me envolveu de tal forma, que num momento de silêncio sussurei-lhe todos os meus afetos por ele. Ele sorriu e lhe disse algo que só me lembro do final:
- ... mas eu tenho aliança aqui ó- e me estende a mão com o anel de coco que usava, exatamente no mesmo dedo que eu, então repliquei:
- Mas eu também uso...
Nisso paramos. Nos olhamos. Nos aproximamos e nos beijamos.
Um beijo comum, daqueles aguardados, em que o nosso fôlego nunca é suficiente, porém era um beijo estático, nem sei dizer se é fisicamente um beijo, parecia mais que estávamos roubando um o ar do outro...
Não sabíamos se curtíamos o momento ou se recuperávamos o fôlego...Olhei de repente para o iludido logo atrás."
E acordei.
-
Sonhos reais mexem comigo. Esse foi tão real, que eu sentia meu pescoço se arrepiar com o tocar do nariz do iludido; Sentia as pontas do cabelo do amigo penicarem minha testa, e claro, sentia a falta de ar.
sábado, 26 de abril de 2008
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